terça-feira, 5 de junho de 2012

"Latência"



Acredita, outrora tive um fraco por ti, que como veio não sei nem percebi, mas que agora se tornou um ligeiro ardor, que não me mata mas mói.
Não queiras saber de mim, porque dei-te a conhecer o meu ser, tentei (inquietantemente) ser o arquétipo da tua vida, mas tu, na tua inconstância, nada recolhes-te ou percebes-te da minha semântica.
Contudo, e apesar de gostar de (me iludir) de que estou imune a este tipo de coisas, a verdade é que o meu (disforme) corpo tocou num recanto do teu, e a partir daí são murmúrios que seguem na minha memória, que o esquecimento não leva.
Percebes assim, que já nada sinto ao te ver, nada (te) quero ser, que a mágoa já não mora em mim, que já passou, desgastei?!
Por isso, e se me vires por aí, disfarça; finge; diz que morri; porque o amor acabou, e perante isto o meu corpo esqueceu, os caminhos por onde andou, nos recantos do teu.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

"Enredos de êxtase"

Desde que nos conhecemos, que não tenho dúvidas de onde pertences; ou melhor de onde (ou a quem) deves pertencer, porque tudo o que preciso vi em ti, e somente em ti.
Aliás, devo dizer-te que é impossível encontrar alguém como tu, e por isso quem te tiver nunca será uma sorte para ti (nem sequer ténue), mas tu, tu serás sempre uma sorte para quem te tiver.
Isto, porque a tua inconstância, ora amarga, ora doce, dilacera-me, entorpece-me, reduz-me (muitas vezes) ao nilismo, mas acaba também por ser misteriosamente ela, a tua acutilante esfera, a acariciar a minha carência, a enlevar a minha realidade, a abalar a minha estabilidade.
Entendes agora, que é esta transcendente dicotomia, que me faz querer(-te) muito mais do que deveria?
Entendes agora, que este inócuo romance não é supérfluo, não é uma (mera) vontade passageira?
Sei que não podes sentir algo que o teu coração não queira sentir, contudo digo-te, sem pressas, sem vírgulas, sem pontos finais: alguém precisa de ti, alguém te quer; na verdade alguém espera que um dia vejas que esse alguém... sou eu.

domingo, 29 de abril de 2012

“Ensaios sobre o desnorte”

Recordas aquela intríseca sinfonia, que aguça a velha temeridade de ser mais um nostálgico e desfalecido ignóbil, perdido num imbróglio entre a (ténue) indulgência e a incessante procura pela áurea quimera?
Entendes o (meu) infeliz desnorte, desde que adquiriste a tua estabilidade lógica?
Acredito que a sincronização do teu coração, fosse uma honorífica necessidade; mas tal planeamento estratégico acabou com o refúgio que em ti encontrava.
Por isso, desculpa(-me) se esta minha (humana) necessidade de te ter, afectou a tua acutilante esfera; mas não te posso iludir: gostava que estivesses aqui.
Aqui, ao meu lado, com os teus longos cabelos encaracolados, e acalmasses o meu desnorte.

sábado, 5 de março de 2011

"Quimera"


Esquece.
Esquece, e senta-te comigo.
Não interessa onde, não interessa quando, senta-te apenas.
Senta-te, fecha os teus pequenos olhos, e esquece.
Esquece o que nos envolve, esquece onde estamos, esquece tudo o que já te disse, e o que ainda não me disseste.
Esquece.
Esquece os teus problemas, esquece os meus problemas, esquece os problemas que poderemos ter.
Esquece tudo o que já acabou, ou o que ainda pode começar, esquece todas as (imperfeitas) juras, esquece todas as promessas que (inconscientemente) juraste cumprir.
Esquece as minhas mentiras, e as tuas verdades.
Deixa-te levar pelo esquecimento, e envolve-te nesta ilusória quimera.
Esquece e abre os teus olhos:
- E agora amas-me?