Precisamos de falar!
Não me sinto bem com a nossa (agora
antiga) relação!
Por isso vamos (juntos), descalça
essas tuas sandálias castanhas que tanto gostas; sente a dureza mas
também a macidez da areia ao tocar nos teus pés, olha-me nos olhos
e corre, molha os teus pés na gélida àgua da praia em que nos
encontramos, olha para trás, agarra-me na mão e vem comigo, não
interessa onde!
Vem (ao meu lado), deixa esvoaçar teus
longos cabelos loiros, escolhe o melhor local, ou o pior, não
interessa, guarda só a essência, a verdadeira importância.
Já escolheste? Sentemo-nos então,
próximos, mas não demasiado para não nos desviarmos do que outrora
parecia certo e verdadeiro.
Levanta esses pequenos olhos de
encontro aos meus e ouve-me calmamente, sem pressas, sem desvios, sem
mentiras.
Vou ser totalmente sincero contigo, vou
demonstrar-te as coisas como eu as vejo, como eu as sinto, sem
adornos, sem omissões.
Vamos então começar, mantêm-te
focada em mim, mas não demasiado visto que agora somos dois mundos
diferentes, separados!
Deita-te então ao meu lado, e sente os
pequenos grãos de areia a acariciar as tuas costas!
Chega-te mais um pouco, escuta o que
preciso de te dizer.
Sabes a (nossa) história, o caminho
que cada um percorreu, que nunca te esqueci; nunca consegui fazê-lo!
Não consegui, e sabes porquê?
Não? Pensa então no sentimento que
(já) me uniu a ti, nas suas características-chave.
Percebes agora?
Mas não fiquemos por aqui, ainda há
muito por dizer, muito por desmascarar!
Mas chega de falar de mim, do que quero
ou melhor do que tanto queria!
Centremo-nos no acutilante ser
desencadeador de todas estas linhas.
Sei como és e o que és, do que
gostas, do que não gostas, com o que sonhas, dos teus medos, das
tuas (in)certezas, sei que sabes que sei que acreditas que se
est(ava) contigo é porque aceit(ava) e gost(ava) das características
da tua esfera!
E ao acreditares, não mentes, sim
gosto de ti, e tu sabê-lo melhor do que ninguém!
Sei que pensas que gostava que mudasses
muito em ti, mas digo-te: nada mais errado!
Não quero que mudes, quero apenas que
percebas este ponto de vista e reflitas sobre a tua e a minha
posição: acredito que essa máscara que usas e que tão
camaleonicamente esconde a tua verdadeira faceta, resulta de algo que
também tu me fizeste durante todo este tempo.
Senão vejamos: também tu te deste
incondicionalmente, e acredito que por razões que nem tu consegues
controlar, a tua forma de ser acabou por desaparecer tornando-te um
ser (falsamente) forte, digo até aparentemente indestrutível por
fora, mas com inúmeras inseguranças por dentro.
Atrevo-me até a dizer que muito
provavelmente juras-te que nunca farias o que te fizeram, que nunca
serias como essa pessoa.
Agora pensa, achas que estás a seguir
o caminho certo?
Acredita, não estás! Talvez agora não
concordes comigo, mas um dia talvez te apercebas de quem sou, do que
fiz por ti, mais: de tudo o que não tive tempo para te mostrar!
Fui o único perdedor (podes dizê-lo),
podes vangloriar-te pela (tua) acção, podes seguir todos os
caminhos (que agora) quiseres, mas só te peço uma coisa: devolve-me
tudo o que desperdiçaste!
Não deu para manter a relação, mas
espero que sejas feliz, porque como alguém disse: nem sempre temos tudo o que queremos!
Desperta, levanta agora a tua cabeça
da areia, segue o teu caminho, olha em volta, procura pela pessoa
certa, que se adapte a ti e às tuas exigências, torna-te agora a
quimera de outra pessoa.
Fá-lo, percorre a praia, dá a mão a
outra pessoa, descobre novos lábios, porque nós, nós nunca mais o
voltaremos a fazer.
Ps: Acredita, ela ama-te, ela continua
presa a ti, ao feitiço que sobre ela criaste!
Não sei o que pretendes fazer, mas
digo-te ela nunca mais conseguirá entregar-se numa relação, nem
sequer mantê-la, porque continuas a ser tudo para ela.
Atina, e aproveita a sorte que tens,
sorte essa que eu não tive.