sexta-feira, 12 de março de 2010

"Adeus eterno"


Sentia um frio a percorrer-me as costas.
Não estava bem.
Apesar de te ter ali ao pé de mim, sabia que não era por muito; sabia que irias partir.
Sim, era o último dia, a última tarde, as últimas horas, os últimos minutos.
Olhei-te vezes sem conta.
Queria guardar o máximo de imagens tuas, possíveis.
Tocou para a saída.
Saís-te.
Eu segui-te, mas vagarosamente.
Não queria que aquilo acontecesse. Fiquei parado na entrada da sala, a olhar para ti, e tu para mim.
Perdi a noção de tudo.
Senti uma lágrima, a escorrer pelo canto do olho.
Não queria perder-te.
Não queria acabar com o sentimento, não queria ter de dizer adeus.
Não queria perder, tudo o que tentei construir.
Abracei-te.
Abracei-te, com toda a força que tinha.
Sussurrei-te ao ouvido, que eras tudo para mim, e que te amava.
Abraçaste-me.
Disseste-me, que me odiavas, e que não era um "adeus", mas sim um "até já", pois voltarias para recordar os bons momentos, as palavras, os olhares, os sorrisos, tudo.
Porém, sentia-me mal na mesma; sabia que nada voltaria a ser igual.
Despediste-te.
Seguiste o teu caminho, e avanças-te.
Fiquei parado, a olhar para ti a afastares-te.
Mas não aguentei mais. Ainda, mas tinhas partido, e já as saudades me apertavam e sufocavam.
Correi até ti, e agarrei-te na mão.
Puxei-te para mim, e senti os teus lábios.
As coisas, poderiam ter sido de outra forma- disse-te.
Concordas-te e deste-me outro beijo.
Trocamos as últimas palavras. Eram os últimos segundos.
Beijei-te de novo, prolongadamente, pois não queria que me deixasses. Partiste.
Recordo cada cabelo teu, cada olhar, cada palavra, cada beijo, cada abraço, cada pensamento, cada minuto.
Talvez te ame eternamente.
Poderá ser este o nosso fim, se não mudar-mos o meio.
Sei que o adeus chegará, mas quando fores levarás uma parte de mim, uma parte que nunca mais recuperarei.
Quero-te amar, mas não vou implorar.
Quero-te amar & quero que me ames.
F de fim, F de feliz.
Amo-te.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

" A gula de te ter"

Era uma tarde quente, ensolarada.
Caminhava descalço, sobre a areia quente, sentindo a brisa do mar na minha cara.
A brisa, ao tocar-me trazia-me à memória, pessoas, momentos, discussões, risos, olhares, abraços, loucuras, paixões (...), até que parou em ti.
A brisa, continuava a tocar-me mas a imagem não mudava.
Apenas, estava fixada a tua imagem.
Tu a cainhares até mim, com os teus longos cabelos, que dançavam ao som do vento; sorrindo e abraçando-me.
Sentia-te.
Sentia-te ali, sentia os teus cabelos, a tua cara, as tuas mãos, sentia-te.
Abracei-te mais uma vez.
Olhei-te nos olhos, e tu olhas-te nos meus.
Ficamos ali uma quantidade indeterminada de tempo, a olhar um para o outro.
Até que agarrei na tua mão, e puxei-te até ao mar.
A água estava gelada, mas pareceu que nem sentis-te porque continuas-te com o teu sorriso, e avanças-te.
Larguei a tua mão, e gritei tudo o que sentia.
Riste-te e gritaste comigo.
Os nossos gritos juntaram-se e tornaram-se num só, numa só palavra.
Ecoou por toda a praia.
Mergulhas-te e eu segui-te.
Voltamos rapidamente, a cima e segui uma gota que percorreu o teu cabelo, saltando depois para os teus lábios.
Senti-os então.
Estavam molhados, e eram carnudos.
Senti-os de novo.
Pareceu que o tempo parou. Parou a brisa, o som calmante da ondulação do mar, parou a água fria a bater em nós, parou tudo.
Apenas, continuava o sentimento.
Saímos do mar, e sentamo-nos na areia.
Abracei-te e deitaste-te sobre as minhas pernas.
Trocamos palavras, sentimentos, carinho, olhares, paixão, calor, risos...
Senti mais uma vez os teus lábios.
Mas de repente, deixei de te sentir. Abri os olhos e não te vi. Procurei-te e gritei o teu nome, que caminhava sobre o vento.
Mas não apareceste. Deixei-me cair.
Não tinha passado, mais do que 10 segundos, e já sentia a tua falta.
Estava deitado sobre a areia, a recordar, o escasso tempo que te tive.
Parecia tudo mágico. Desejei, então que voltasses todos os dias, e que pudesse de novo sentir a brisa do vento contigo, abraçar-te sentir de novo os teus lábios.
Sinto, vontade de te sentir.
Voltas a sentir comigo?