quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

"Ana Patrícia"


Acordei com a luz a inundar o meu quarto.
Enchias o meu pensamento, e sem saber o seu porquê, visto que para ti não existia à já 2 anos.
Contudo mesmo depois de todo esse tempo, de saber que tal como tu eras outra, também eu o era, e vários (des)amores depois, continuava em mim uma estranha sinfonia relembrando-me a loucura de te ter deixado ir.
Sentia necessidade de falar contigo, de relembrar o teu rosto, o teu (inconfundível ) cheiro.
Seria esse o próximo passo!

 
Estava um dia quente, um calor asfixiante, não devido a qualquer factor meteorológico, mas por não saber bem o que me esperava no fim desta acção que decidi tomar.
O metro estava invariavelmente cheio, e caminhava lentamente como se me quisesse atrasar, ou fazer pensar nesta minha decisão.
Acabei  então por me infiltrar no meio da multidão que o abandonava , em direcção aos seus afazeres, cada um preso aos seus pensamentos, aos seus medos, aos seus sonhos que muito provavelmente (tal como o meu) estava muito distante dali, daquela subterrânea, e velha paragem do metro.
Sentia-me estranho, como que inseguro, sem saber o que dizer ou fazer, mas ciente de que o teu sorriso traria também o meu de volta.
Entrei então no autocarro, e escolhi o lugar mais isolado possível; precisava de estar sozinho no meu mundo, flutuar entre ilusões e certezas, entre (possíveis) palavras, e verdadeiras palavras, e consequentes atitudes.
Necessitava de olhar em redor, de relembrar as conversas que enchiam as nossas antigas noites, a falta que (in)conscientemente me fazias,  e que estive uma vida a tentar mascarar.
Sim, tinha desejos, muito próximos da utopia.
Desejos para mim, para ti, para nós.
Desejos ou quimeras, ainda não sei qual a melhor definição.
Acordei como que de um transe, e encaminhei-me para a saída.
Respirei fundo, deixei o oxigénio fluir lentamente, como que esvaziando a minha mente, e a minha alma deixando apenas a massa humana que em mim existe.
Dirigi-me para onde sabia que te ia encontrar, sentei-me e acendi o cigarro, cujo fumo ia acalmando serenamente a minha ânsia de ao longe te ver caminhar.
No horizonte surgiu então um vulto, que se foi tornando mais claro, deixando transparecer o teu esbelto corpo, e teu doce rosto.
-Diego?! Tu aqui? – perguntaste.
-Pelos vistos sim – respondi-te.
Levantei-me e cumprimentamo-nos, e nessa fracção de segundos quis beijar-te, o desejo era insuportável.
-Mas afinal que fazes aqui? Nunca mais falamos! Como que desapareceste, pelo menos da minha vida - afirmaste.
-Não sei, sinceramente não sei Anne. Concretamente não sei o que aqui faço, mas acordei contigo no pensamento, e senti que devia vir, porque apesar de saber que pouco ou nada represento para ti, a verdade é que eu sempre me senti bem contigo, sempre conseguiste chegar a onde mais ninguém consegue, e pensar em ti diáriamente está a tornar-se doloroso.
-Não digas que não representas nada para mim..
-Porquê? Represento?-perguntei surpreendido.
-Eu sei que já passou imenso tempo, que ambos tivemos histórias diferentes, com acções e personagens distintas, mas acho que tal como eu também tu sabes que nunca deixamos de ter um sentimento entre nós. Sim enfraqueceu, tornou-se débil com os caminhos opostos que seguimos, mas não desapareceu! Aliás, tens enchido também o meu pensamento, ultimamente, Diego.
Fiquei estupefacto com a tua declaração, visto que o meu desejo de te ter era para mim nada mais do que uma àurea quimera, que parecia no entanto aproximar-se da tua vontade.
-Anne, sei que refizeste a tua vida, que tens um amparo na tua vida, e sabes que nunca iria mudar isso. Quero-te mais do que tudo, mas se estás feliz, é isso que me importa…
-Sim eu refiz a minha vida, mas não tenho nenhum amparo como dizes, isso já à muito que mudou!
Os nossos olhos cruzaram-se, e senti que me lias a alma, tal como eu li a tua…
Beijei-te, não resisti ao impulso de sentir teus lábios de veludo. Voltei a beijar-te, outra, e outra, e outra vez…

 
Hoje, estamos juntos, longe mas perto…
A nossa relação acalmou, serenou.
O teu mundo tornou-se o meu, e o meu o teu.
Hoje continuo a acordar contigo no pensamento, e a querer-te aqui ao meu lado, todos os dias.
O desejo é mais intenso, mais verdadeiro, mais subtil, mais nosso.
Hoje tenho medo de te perder, mas hoje posso também dizer que te amo.
Sim amo-te, mais do que tudo.

domingo, 25 de novembro de 2012

"Ciumar"



São 6h da manhã, e continuo sentado na varanda do meu quarto.
Corpo quieto, pálido, sem reacção, mas alma deambulante por pensamentos e ilusões que atormentam a (minha) quietude.
Vou degustando o cigarro que lentamente se vai apagando e desaparecendo à medida que as horas passam.
Não falamos à horas, mas não é esse o problema.
O dilema é que a conversa terminou em discussão, e o orgulho impede a retoma do que outrora tão bem nos fazia.
Fisicamente continuo ali, ao frio, mas mentalmente estou ao teu lado, a sussurrar-te ao ouvido o medo que tenho de te perder!
Recosto a cabeça, e um fio de amor caí-me pelos olhos, pela mágoa que em mim deixaste, mas principalmente pela ausência de sentir o teu mundo dentro do meu.
Apago o que resta do cigarro, e desejo que ali estejas, deitada, ao meu lado, e que juntos nos conheçamos um ao outro, que a minha mão percorra o teu rosto, e que teus lábios voltem para junto dos meus.
Não vou ser hipócrita, nem acreditar que não te quero mais uma vez.
Sim, quero-te mais uma vez, e outra, e outra, e outra...
Quero-te, e ainda não é tarde, pois não?

domingo, 21 de outubro de 2012

"Longe mas perto"


Sei que não estive presente na maior parte da tua vida, nem mesmo quando precisaste.
Sei que (muito provavelmente) não sou o primeiro nome que surge na tua mente quando acordas, ou mesmo quando te deitas.
Acredito que ainda não desperto (em ti) aquela sensação nervosa que percorre todo o teu corpo, quando ouves a minha rouca voz.
Tristemente, sei também que ainda não conheci as linhas do teu (esbelto) corpo, e principalmente que ainda não acordaste com o meu doce e leve sussurro ao teu ouvido.
Sei que ciúmes ainda não é uma parte de ti, quando me vês com outras pessoas.
Percebo que ainda não lemos o pensamento um do outro só com um olhar, que ainda não sabes como lidar com a minha esfera, tal como eu não sei como manejar a tua sem destruir a sua (perfeita) áurea.
Desconheço os erros que(te) preenchem, os erros que (juntos) cometeremos, e os amores que ainda temos por curar.
Sei que ainda não estivemos somente sós, o meu corpo com o teu, envolvidos em sonhos, promessas, ilusões, e puras satisfações.
Ainda não sei de cor todos os teus medos e inseguranças, mas sei que um dia procurarás os meus braços (onde te esconderás), e te acalmarei mesmo sem nada dizer.
Sei que espontaneidade foi o que nos uniu, não achas?
Não nos deixamos levar de livre vontade, sem (misteriosos) esquemas de (des)ilusões, como a leve brisa que faz esvoaçar teus longos cabelos cor de avelã?
Os teus pequenos e doces lábios não se encontraram com os meus, enfeitiçando aquele momento semelhante a tantos outros?
Eu ainda não consigo ser tu, e tu ainda não consegues ser eu, mas podemos mudar isso, não?
Podemos trocar as nossas almas, a tua e a minha, a minha e a tua (essência).
Aliás um “amo-te” fê-lo, certo?

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

"Melodias únicas (?)"



Acreditas que a tua esfera é somente tua?
Que nada tem de igual ou semelhante a todas as outras esferas que vagueiam em busca da melodia que as complete?
Não acredites nisso, não cries ilusões, não sejas hipócrita.
É verdade que todos têm o seu mundo, à sua maneira. Tu tens o teu, eu tenho o meu.
Mas mesmo mundos diferentes acabam por se confundir, e tornarem-se um só.
Não acreditas?
Esconde-te então no teu mundo, prende-te a essa (ilusória) ideia de que a tua realidade não é a realidade do outro.
Continua, não deixes de lado essa ilusão, lê o que aqui (te) escrevo, mas sem nunca acreditar!
Continuas com essa ideia? Óptimo, continuemos então.
Se cada mentalidade é diferente, não é verdade que sentimos todos falta de alguém?
Não passamos todos pelo mesmo?
Não estivemos já todos no nosso mundo, iludidos com a nossa (aparente) felicidade, que acabou por desaparecer quando perdemos a melodia que a alimentava?
Não acabamos todos por nos deixar levar por um (novo) mundo que do nada chegou, e que acabou também por do nada partir?
Não queremos todos que esse mundo volte?
Não ansiamos inquietantemente, por uma palavra desse mundo?
Uma mensagem a meio da noite?
Não desejamos todos que esse mundo se torne, mais uma vez, o nosso?
Que chegue com a sua melodia e nos enfeitice novamente?
Não sonhamos todos em voltar a sentir? Sentir aquela sensação de segurança, de desejo, aquele calor intríseco, aquele bem-estar?
Não queremos todos olhar o mundo (que já foi nosso), e voltar a descobrir os seus (doces) lábios?
Não queremos apenas (re)unir esses 2 mundos? O teu e o meu?
Não queres também tu voltar a iludir-te com essa melodia que tinhas como única, como vossa?
Essa doce melodia, que fluí naturalmente quando dois mundos se encontram entre tantos outros?
Não sentimos todos falta daquele abraço? Daquele cheiro? Daquele beijo roubado entre sorrisos?
Não quer também a tua esfera ser acariciada?
Não acaba também ela por viajar no tempo ao som das recordações, quando encontras aquela melodia que uniu os vossos mundos?
Não te doí quando vês o mundo que já foi teu, a amar um novo mundo? A descobrir novos lábios, novos corpos?
Não estiveste também tu inúmeras noites com o teu pensamento enfeitiçado nesse (teu) outro mundo?
Não acaba por ser o teu orgulho a impedir-te de voltar a tratar esse mundo como teu?
Não é essa tua vontade de que seja o outro mundo a perguntar pelo teu, que te deixa num canto? Que te impede de reencontrar a (vossa) melodia?
Não continuas a controlar todos os mundos que se aproximam do que já te pertenceu?
Esferas semelhantes, não?
É que não defini nomes, mas tal como o meu mundo, também tu pensaste naquele que já foi teu.

sábado, 11 de agosto de 2012

"Ornatos de verdades"



Precisamos de falar!
Não me sinto bem com a nossa (agora antiga) relação!
Por isso vamos (juntos), descalça essas tuas sandálias castanhas que tanto gostas; sente a dureza mas também a macidez da areia ao tocar nos teus pés, olha-me nos olhos e corre, molha os teus pés na gélida àgua da praia em que nos encontramos, olha para trás, agarra-me na mão e vem comigo, não interessa onde!
Vem (ao meu lado), deixa esvoaçar teus longos cabelos loiros, escolhe o melhor local, ou o pior, não interessa, guarda só a essência, a verdadeira importância.
Já escolheste? Sentemo-nos então, próximos, mas não demasiado para não nos desviarmos do que outrora parecia certo e verdadeiro.
Levanta esses pequenos olhos de encontro aos meus e ouve-me calmamente, sem pressas, sem desvios, sem mentiras.
Vou ser totalmente sincero contigo, vou demonstrar-te as coisas como eu as vejo, como eu as sinto, sem adornos, sem omissões.
Vamos então começar, mantêm-te focada em mim, mas não demasiado visto que agora somos dois mundos diferentes, separados!
Deita-te então ao meu lado, e sente os pequenos grãos de areia a acariciar as tuas costas!
Chega-te mais um pouco, escuta o que preciso de te dizer.
Sabes a (nossa) história, o caminho que cada um percorreu, que nunca te esqueci; nunca consegui fazê-lo!
Não consegui, e sabes porquê?
Não? Pensa então no sentimento que (já) me uniu a ti, nas suas características-chave.
Percebes agora?
Mas não fiquemos por aqui, ainda há muito por dizer, muito por desmascarar!
Mas chega de falar de mim, do que quero ou melhor do que tanto queria!
Centremo-nos no acutilante ser desencadeador de todas estas linhas.
Sei como és e o que és, do que gostas, do que não gostas, com o que sonhas, dos teus medos, das tuas (in)certezas, sei que sabes que sei que acreditas que se est(ava) contigo é porque aceit(ava) e gost(ava) das características da tua esfera!
E ao acreditares, não mentes, sim gosto de ti, e tu sabê-lo melhor do que ninguém!
Sei que pensas que gostava que mudasses muito em ti, mas digo-te: nada mais errado!
Não quero que mudes, quero apenas que percebas este ponto de vista e reflitas sobre a tua e a minha posição: acredito que essa máscara que usas e que tão camaleonicamente esconde a tua verdadeira faceta, resulta de algo que também tu me fizeste durante todo este tempo.
Senão vejamos: também tu te deste incondicionalmente, e acredito que por razões que nem tu consegues controlar, a tua forma de ser acabou por desaparecer tornando-te um ser (falsamente) forte, digo até aparentemente indestrutível por fora, mas com inúmeras inseguranças por dentro.
Atrevo-me até a dizer que muito provavelmente juras-te que nunca farias o que te fizeram, que nunca serias como essa pessoa.
Agora pensa, achas que estás a seguir o caminho certo?
Acredita, não estás! Talvez agora não concordes comigo, mas um dia talvez te apercebas de quem sou, do que fiz por ti, mais: de tudo o que não tive tempo para te mostrar!
Fui o único perdedor (podes dizê-lo), podes vangloriar-te pela (tua) acção, podes seguir todos os caminhos (que agora) quiseres, mas só te peço uma coisa: devolve-me tudo o que desperdiçaste!
Não deu para manter a relação, mas espero que sejas feliz, porque como alguém disse: nem sempre temos tudo o que queremos!
Desperta, levanta agora a tua cabeça da areia, segue o teu caminho, olha em volta, procura pela pessoa certa, que se adapte a ti e às tuas exigências, torna-te agora a quimera de outra pessoa.
Fá-lo, percorre a praia, dá a mão a outra pessoa, descobre novos lábios, porque nós, nós nunca mais o voltaremos a fazer.

Ps: Acredita, ela ama-te, ela continua presa a ti, ao feitiço que sobre ela criaste!
Não sei o que pretendes fazer, mas digo-te ela nunca mais conseguirá entregar-se numa relação, nem sequer mantê-la, porque continuas a ser tudo para ela.
Atina, e aproveita a sorte que tens, sorte essa que eu não tive.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

"Reflexões"


Não desisti.
Não desisti nem de ti, nem de mim, mas muito menos de nós.
Aliás, não podia tê-lo feito, mas se me perguntares o porquê não saberei dizer-te a razão.
Continuei apenas aqui, ao teu lado, a querer-te (talvez até mais do que deva), a precisar de ti (que tanto sacias como alimentas este meu vício (teu)), enfim a respeitar todas as promessas que tanto eu como tu (inconscientemente) trocamos.
Permaneci! Mas não da mesma forma.
E porquê? Porque percebi que persiste uma pergunta que precisa de ser feita: E eu? Sou o único da tua vida?
Pensa bem, não te precipites, não adornes mais a situação a teu belo prazer.
Descansa, põe-te confortável, esvazia a tua (sincronizada) mente e olha somente em volta; sente o teu coração, ou apenas os teus pensamentos, visto que o carácter racional sempre te moldou a ti e às tuas acções.
Esquece o meu passado, esquece o teu passado, esquece o nosso passado, deixa-te levar, e pensa em quem realmente queres, de quem realmente precisas.
Percebe também ao longo desta (nossa) reflexão que se não te dás a ninguém estás a magoar alguém, muito provavelmente quem não querias!
Mas continua, vamos mais longe, existem inúmeras perguntas à espera de serem feitas!
Continuas confortável? Então fecha os olhos e continua assim em silêncio.
Pensa, se já te fiz sorrir foi porque pouco a pouco foste acreditanto em mim, e nesse mesmo (doce) pouco a pouco fomos construíndo a nossa forma de sentir, que eu não quero que esqueças, somente que sintas!
Estás a sentir? Sente-la a percorrer o teu esbelto corpo?
Abre agora esses teus esverdeados olhos e diz-me: quem venceu esta reflexão?

sexta-feira, 6 de julho de 2012

"Paradigma"


Certamente acreditas que o que se desperdiçou uma vez, jamais volta; e eu digo-te: podes ter a certeza!
O que não se agarrou (com toda a força) não mais volta, pelo menos não com a mesmo essência, não com a mesma vontade.
Por isso diz-me: quantas vezes desperdiças-te alguém? (Ou melhor, a tal?)
Pois, se não o fizes-te sorte a tua.
Eu, por meu turno, já o fiz, já cometi esse infortúnio.
Perante isto vi-te partir sem sequer sentir o veneno dos teus lábios, acabei por perder a (única) certeza que tinha, fiquei completamente reduzido ao nada, e uma inquientante arritmia entorpeceu o meu débil raciocínio.
Aliás, deixaste-me no fio da minha fala, porque esse teu inconstante ser aceita uma desculpa mas nunca um erro.
Percebo que a desilusão te tenha invadido, que afectei a tua (inabalável) convicção, que destruí a (verdadeira) oportunidade, mas entende és tu quem adoro!
Acredita, penso em ti a todo o segundo, recuperei um sentimento puro, que me leva a adormecer contigo no pensamento, e a querer(-te) ao meu lado quando acordo.
Estou ciente que muito dificilmente recuperarei o teu (total) sentimento, mas ainda te sei decor.
Por isso, percebe: está na hora de voltares!



Tu que lês este texto, toma o meu exemplo e não sigas o caminho que segui, porque as segundas oportunidades são raras, e na maioria dos casos: impossíveis.

terça-feira, 5 de junho de 2012

"Latência"



Acredita, outrora tive um fraco por ti, que como veio não sei nem percebi, mas que agora se tornou um ligeiro ardor, que não me mata mas mói.
Não queiras saber de mim, porque dei-te a conhecer o meu ser, tentei (inquietantemente) ser o arquétipo da tua vida, mas tu, na tua inconstância, nada recolhes-te ou percebes-te da minha semântica.
Contudo, e apesar de gostar de (me iludir) de que estou imune a este tipo de coisas, a verdade é que o meu (disforme) corpo tocou num recanto do teu, e a partir daí são murmúrios que seguem na minha memória, que o esquecimento não leva.
Percebes assim, que já nada sinto ao te ver, nada (te) quero ser, que a mágoa já não mora em mim, que já passou, desgastei?!
Por isso, e se me vires por aí, disfarça; finge; diz que morri; porque o amor acabou, e perante isto o meu corpo esqueceu, os caminhos por onde andou, nos recantos do teu.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

"Enredos de êxtase"

Desde que nos conhecemos, que não tenho dúvidas de onde pertences; ou melhor de onde (ou a quem) deves pertencer, porque tudo o que preciso vi em ti, e somente em ti.
Aliás, devo dizer-te que é impossível encontrar alguém como tu, e por isso quem te tiver nunca será uma sorte para ti (nem sequer ténue), mas tu, tu serás sempre uma sorte para quem te tiver.
Isto, porque a tua inconstância, ora amarga, ora doce, dilacera-me, entorpece-me, reduz-me (muitas vezes) ao nilismo, mas acaba também por ser misteriosamente ela, a tua acutilante esfera, a acariciar a minha carência, a enlevar a minha realidade, a abalar a minha estabilidade.
Entendes agora, que é esta transcendente dicotomia, que me faz querer(-te) muito mais do que deveria?
Entendes agora, que este inócuo romance não é supérfluo, não é uma (mera) vontade passageira?
Sei que não podes sentir algo que o teu coração não queira sentir, contudo digo-te, sem pressas, sem vírgulas, sem pontos finais: alguém precisa de ti, alguém te quer; na verdade alguém espera que um dia vejas que esse alguém... sou eu.

domingo, 29 de abril de 2012

“Ensaios sobre o desnorte”

Recordas aquela intríseca sinfonia, que aguça a velha temeridade de ser mais um nostálgico e desfalecido ignóbil, perdido num imbróglio entre a (ténue) indulgência e a incessante procura pela áurea quimera?
Entendes o (meu) infeliz desnorte, desde que adquiriste a tua estabilidade lógica?
Acredito que a sincronização do teu coração, fosse uma honorífica necessidade; mas tal planeamento estratégico acabou com o refúgio que em ti encontrava.
Por isso, desculpa(-me) se esta minha (humana) necessidade de te ter, afectou a tua acutilante esfera; mas não te posso iludir: gostava que estivesses aqui.
Aqui, ao meu lado, com os teus longos cabelos encaracolados, e acalmasses o meu desnorte.

sábado, 5 de março de 2011

"Quimera"


Esquece.
Esquece, e senta-te comigo.
Não interessa onde, não interessa quando, senta-te apenas.
Senta-te, fecha os teus pequenos olhos, e esquece.
Esquece o que nos envolve, esquece onde estamos, esquece tudo o que já te disse, e o que ainda não me disseste.
Esquece.
Esquece os teus problemas, esquece os meus problemas, esquece os problemas que poderemos ter.
Esquece tudo o que já acabou, ou o que ainda pode começar, esquece todas as (imperfeitas) juras, esquece todas as promessas que (inconscientemente) juraste cumprir.
Esquece as minhas mentiras, e as tuas verdades.
Deixa-te levar pelo esquecimento, e envolve-te nesta ilusória quimera.
Esquece e abre os teus olhos:
- E agora amas-me?

domingo, 24 de outubro de 2010

"Lúgubres e supérfluas palavras"


Somos apenas uma massa que se move, e que troca (supérfluos) sentimentos.
Somos apenas lúgubres seres, facilmente substituiveis, e esqueciveis.
Somos meros hipócritas, que fazemos (inconscientemente) juras, que jamais cumpriremos.
Somos apenas perseguidores, da (efémera) felicidade.
Mas, não sabes o quão adorável és.
Preciso de ti, tal como desde o primeiro dia; mas a pena cada vez maior, de te perder, e o distanciamento chegar, destrói tudo o que sempre te quis dar.
Ninguém disse que ia ser fácil, mas também ninguém disse que iria ser tão dificil.
Sinto muito por tudo isto, porém, se te decidires por outra encenação, com outras personagens, eu continuarei lá para te ovacionar.
Sabes, só quero voltar ao nosso começo.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

"Utópico nós"


Não tenho as palavras certas, não sei por onde começar, nem a melhor forma para te tocar.
Sei apenas que o teu misterioso ser, é irresistível, é delicioso, é estimulante, é completamente perfeito.
Sabes perfeitamente, que mudaria por ti.
Sabes que me tornaria o que desejares,
Porém, poderás dizer, ao ler isto, que deixaria de ser eu próprio, que perderia a minha (fraca) essência; mas de que me vale ser eu, se não te tenho?
De que me vale ser um eu, se anseio por ser um nós?
De que me vale ser eu, se este débil e incompleto eu, não te sente, não te tem, não pode olhar-te a qualquer hora, não sente nem nunca sentiu teus doces lábios?
Não quero ser este eu que te vê como uma inatingível utopia.
Quero antes agarrar-te nas tuas mãos, olhar-te nos olhos e perguntar-te:
“-Queres ser minha?”

sexta-feira, 2 de julho de 2010

"Tarde demais"



Encontrei uma fotografia tua.
Fotografia essa, em que tal como todas as outras, estás simplesmente linda.
Olhei cuidadosamente para ela, e recordei, cada traço do teu belo rosto.
Recordei aquele dia, como se fosse hoje.
Bastou apenas um leve toque para ficar completamente viciado em ti.
Mas não há muito para dizer desta vez, apenas que me sentei ao teu lado, e te vi pela última vez a dormir.



Nestes últimos dias tinha pensado muito em ti.
Já não conseguia viver sem sentir a tua respiração ofegante ao meu lado.
Agarrei então nas minhas coisas, e parti à tua procura.
Não sabia bem onde te encontrar, mas hoje seria o dia em que me ajoelharia diante de ti.
Percorri quase toda a cidade, e nem sinal de ti.
Sentei-m então no meu lugar favorito, da nossa imensa cidade.
Adorava aquele lugar, principalmente à noite.
De lá via-se toda a cidade, cheia de pequenas e trémulas luzes.
Agarrei no meu telemóvel, e procurei desesperadamente pelo teu número.
Já não falavamos desde aquela noite em que discutimos, e saíste casa.
Liguei-te; mas não atendeste.
Deixei-te uma mensagem a dizer, que estava no nosso lugar, à tua espera.
Não tinha esperanças que viesses, mas miraculosamente apareceste, depois de algum tempo.
Via-se perfeitamente que não querias estar ali, e muito menos comigo:
-Kate vieste!- exclamei completamente feliz.
-Diz o que me queres, de uma vez.
-Calma Kate. Vejo que ainda estás chateada.
-Steve eu não estou chateada, até porque não fizeste nada, mas eu já não tenho nada contigo.
Esta última frase deixou-me completamente de rastos, mas tentei mascarar a dor que se arrastava dentro de mim.
-Eu sei Kate, mas... eu amo-te. Amo a nossa história. Volta comigo para casa.
Percebi que tinhas ficado tocada, com o que te disse, mas não me disseste o que queria ouvir.
-Chega Steve. Estou farta disto tudo. Já chega, deixa-me em paz. Deixa-me, seguir o meu caminho.
O sentimento morreu.
-Kate eu sei que ainda me amas. Eu não te sou indiferente.
Ficaste calada durante imenso tempo, até que disseste:
-Sim, tens razão. Eu amo-te ainda mais do que o 1º dia, mas as coisas mudaram. Eu pertenci-te, tu pertenceste-me, mas agora está na hora de mudar o rumo.
Chegou a hora de mudar.
-Não Kate. Não quero, nem consigo.
-É o melhor.
-Não, não é Kate. Eu tentei ser perfeito, eu tentei amar-te mais do que tudo, eu tentei fazer-te feliz, eu tentei poder dizer que eras minha. Mas não me deste essa oportunidade, e agora apenas tento ouvir a tua voz, e ver as nossas últimas fotografias.
Contento-me apenas a olhar para ti.
-Steve tu foste a minha vida, mas já não és.
-Kate chegou a hora de voltarmos a sentir.
-Não posso, não quero voltar a sofrer.
-Tu não vais sofrer Kate, eu não vou deixar. Eu por ti morria.
-Steve eu não posso, eu quero, mas não posso.
-Não podes, ou não queres?
-Tenho medo Steve, e além disso surgiu outra pessoa Steve.
Estas palavras acabaram comigo.
-Ele faz-me feliz, e quero ficar com ele.
-É a tua última escolha?
-É, e não vou mudar de ideias.
Morri por dentro., e desisti.
-Foi bom enquanto durou, Kate.
-Foste um grande amor Steve.
-Adeus Kate.
Levantei-me, e andei até à rua mais próxima, esperando que viesses atrás de mim.
Mas não vieste.
Não tinha mais nada que me prendesse.
Andei até à estrada mais próxima.
Caminhei livremente no meio desta, até que desapareci.


Tu não estavas de consciência tranquila, porque sabias que o que me tinhas dito não era verdade.
Correste ao meu encontro, e rapidamente chegaste á estrada onde miraculosamente desapareci.
Quando lá chegaste, apenas viste uma fotografia nossa, manchada com o meu sangue, onde se lia:
-Recorda-me, tal como eu te recordarei sempre.

terça-feira, 15 de junho de 2010

"Tudo tem um fim"



 
Caminhava apressado, no meio daquela multidão que me roeadava.
Não me saía da cabeça o teu telefonema.
Tinham passado 2 anos, e ligaste-me do nada, dizendo:
-Preciso de falar contigo, há muito por dizer.
-Onde?-perguntei logo eu.
-No parque onde nos vimos pela primeira vez.
Eu já nem pensava direito, mas disse logo que lá estaria.
-Então até amanhã, às 15:00.
Desligaste.
Eu nem me apercebi logo.
Os meus pensamentos, vagueavam por entre os nossos vários momentos.
Tinha passado bastante tempo.
Aliás, tempo demais, mas ainda não me eras indiferente, ainda te queria loucamente.
Pousei então o telefone no descanso, e senti que te queria mais que nunca.
Regressei a mim, e continuei a caminhar no meio daquela multidão.
Cheguei mais cedo do que o previsto ao parque, e escolhi o banco, onde outrora me sentei e admirei todo o teu perfeito ser.
Sentei-me.
Recordei novamente, todo o tempo que passei contigo, até que senti uma mão nas minhas costas:
-Jeremy?
Reconheci imediatamente a tua doce e calma voz.
Levantei-me, e abracei-te com toda a força que tinha.
-Tinhas assim tantas saudades minhas?- perguntaste.
-Nem imaginas quantas! - respondi-te eu calmamente.
Sentamo-nos.
Começaste a falar, mas eu nem estava a prestar atenção.
Estava completamente focado nos teus belos olhos.
A sua cor castanha, envolvia tanto mistério e beleza, que atraía qualquer um.
-Ouviste Jeremy?
Rapidamente te respondi:
-Sim sim.
-E reages assim? Sinceramente, pensei que agisses de outra forma, mas afinal enganei.
Foi aí que percebi que não era uma boa notícia; pelo menos para mim.
-Sabes que isso não é verdade. Lutei demasiado por ti, e tu nunca deste o devido valor. Mas repete lá novamente- exclamei.
Lá começaste a falar novamente.
-Desde o primeiro dia que me atraíste com o teu ar descuidado, mas também com o teu lado querido e rebelde. Mas também sempre hou o Sam.
Ele sempre gostou de mim, e eu também lhe achava piada.
Mas não era nada como tu.
Demorei a perceber isso, e talvez seja tarde demais. Foi por tudo isto que parti sem explicação há 2 anos atrás, e estive este tempo todo sem te dizer nada.
Continuaste a falar, mas eu bloqueei nesta última frase tua.
Tudo fazia sentido agora.
Há 2 anos, sabias o quanto eu te amava, e tudo o que fiz para te ter.
Rapidamente percebi que também me amavas, e iniciamos um novo caminho juntos.
Tinhamos combinado naquela noite, encontrarmo-nos neste preciso parque.
Esperei ansiosamente neste preciso banco, envelhecido, até que adormeci e apenas acordei na manhã seguinte.
Desde então que te tinha procurado por todo o lado.
Vivia com o doloroso sentimento de pensar que não passava de um inútil e estúpido amor.
Amava-te ainda mais desde então.
Sentia que estava a desfazer-me por dentro.
Regressei à conversa:
-Ele obrigou-me a sair do país, e a prometer-lhe que nunca mais te via.
Eu não queria, nunca quis. E nem quero.
Mas fi-lo porque ele ameaçou que te matava, e eu era incapaz de viver sem saber que estavas bem.
Por isso parti, e tenho-me submetido a ele.
Intervim:
-Porque não me contaste? Teríamos arranjado uma solução.
-Nao tive tempo Jeremy. E tinha medo de te perder.
-Pois mas deixaste-me perder-te e pensar que não me querias.
-Não era essa a minha intenção!-exclamaste.
-Mas foi o que aconteceu.
-Jeremy eu amo-te.
-E eu a ti Marilyn.
-Deixa-me acabar Jeremy. Gosto da tua forma de ser, gosto dos teus olhos, gosto dos teus lábios, gosto da tua personalidade, gosto do teu cabelo, gosto de tudo o que és e representas para mim. Gosto de gostar de ti.
Mas ... tenho uma má noticia para te dar. Eu não quero, mas vou casar-me com o Sam.
-TU O QUÊ?
-Foi o que ouviste.
-Mas se não queres, porque o fazes? Nós podemos encontrar uma solução.
-Não não podemos. Não há solução, para isto Jeremy. Não há nada a fazer, nem a dizer, aqui e agora.
-Marilyn, agora que te reencontrei não te quero perder novamente. Quero que faças parte, da minha vida. Quero viver loucuras contigo. Não tens noção, quero tanta coisa contigo.
-Também eu Jeremy, mas não posso, há uma razão muito forte por detrás de isto tudo.
Levantaste-te rapidamente e começaste a andar.
Puxei a tua mão, e olhei-te intensamente nos olhos.
-Até sempre, Jeremy.
Beijaste-me louca e apaixonadamente.
Partiste.
Fiquei ali, em pé, sem fazer nada, sem reacção a ver-te partir.
Quando deixei de te ver, comecei a andar até à ponte, e debrucei-me sobre o corrimão.
Olhava a água a correr calmamente.
Tinha o teu rosto fixado nos meus olhos.
Subi para cima do corrimão.
-Talvez nos encontremos numa outra vida; amei-te até ao último segundo.
Saltei.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

"Loucuras negadas"

Ouviste dizer?
Ouviste-me dizê-lo?
Não, seguramente que não. Nem atenção prestaste.
Foram imensas as palavras proferidas, os gestos tomados em vão, os momentos desperdiçados.
Para ti não chegaram os "anseio loucamente por ti...", ou o "és a minha utopia...", ou apenas um breve olhar que transmitia tudo o que havia em mim.
Foram, apenas estúpidas palavras, gestos insignificantes.
Foram apenas páginas que esfolheavas a teu belo prazer.
Porém, ficou tanto por dar.
Mas não.
Não foi isso que te dei.
Dei-te todo o significado que as várias palavras que proferi, tinham.
Dei-te todo o meu desejo.
Pergunto-me se escrever-te, não será um pecado.
Mas se for, não me fará diferença.
Não pararei de escrever, toda a inspiração que me dás.
E mesmo que não leias, o que te escrevo, continuarei a escrever-te, porque és o único fim que quero ter.
Mas caso me vires as costas, sentir-me-ei apenas um estúpido idiota que tenta a todo o custo, desvendar o mistério que trazes contigo.
Porém nesse caso partirei.
Virar-te-ei, também as costas, e caso olhes para trás, e perguntes: "Onde vais?", olharei então para trás, memorizarei a tua perfeita imagem, e dir-te-ei: "Queres viver comigo até ao expoente da loucura?"

segunda-feira, 3 de maio de 2010

"Anseio por ti, utopia"


Anseio loucamente por desvendar o mistério que trazes contigo, e por dizer que não és apenas um sonho dificil de atingir.
O teu ser atraí-me e faz-me desejar-te.
Os meus lábios chamam pelos teus.
Quero tocar-te, quero sentir-te; quero-te.
Sonho em agarrar a tua mão, olhar-te nos olhos e dizer-te que és a minha utopia.

domingo, 11 de abril de 2010

"Volta..."


Acordei, e olhei pela janela.
Estava um dia "triste", e chuviscava.
Deixei-me estar deitado, a ouvir o som dos pingos de chuva.
Comecei a pensar.
Pensei nos primeiros dias, em que deitavas a tua cabeça sobre o meu ombro, em que trocavamos palavras, olhares, gestos sentidos.
Apesar de não te ter ao pé de mim, via os teus olhos perfeitamente definidos, e só queria guardá-los para os poder ver a toda a hora.
Via-te ali.
Senti que estava na hora de fazer algo, que ainda não tinha tido coragem de fazer.
Seja o que for que te tenha feito, ou dito, não foi minha intenção magoar-te, porque apenas te quero de volta.
Sim, quero-te de volta, porque tenho a tua foto ao meu lado, porque tenho a cabeça cheia de sonhos despedaçados, e porque tenho um punho cerrado de puras emoções.
Sei que tenho de abandonar isto, de deixar tudo para trás, mas quero fazer-te o que me estás a fazer agora.
Quero que sintas a falta, quero que pronuncies o meu nome por vontade própria, quero que me desejes.
Estou completamente farto.
Eu quero-te e ele tem-te.
Mostra-me que estou enganado, e diz-me que estou errado.
Olha-me e desenha-me, se é o que gostas de fazer.
Sim, quero-te.
Sim, sinto a tua falta.
Sim, desejo-te.
Começou a chover mais intensamente.
Acordei.
Parecia que até então tinha estado a vaguear por entre os meus pensamentos.
Levantei-me, e os meus lábios apenas pronunciaram :"creio que está na hora de voltares".

segunda-feira, 5 de abril de 2010

"Por vezes dói"

Nascemos e vivemos.
Vivemos de formas diferentes, em que alguns caminhos se cruzam.
Ao cruzarem-se transmitimos todo o nosso ser, e amamos.
Amamos incondicionalmente, e com toda a nossa força, nunca esperando sermos rejeitados.
Mas, por vezes acontece e dói.
Dói.
Dói até esquecermos.
E quando pensamos que finalmente esquecemos; o sentimento, a saudade, a falta de a voltar a ver, traz de volta a dor.
Uma dor que perdura, até voltarmos a nascer, a viver, e a cruzar caminhos.

sexta-feira, 12 de março de 2010

"Adeus eterno"


Sentia um frio a percorrer-me as costas.
Não estava bem.
Apesar de te ter ali ao pé de mim, sabia que não era por muito; sabia que irias partir.
Sim, era o último dia, a última tarde, as últimas horas, os últimos minutos.
Olhei-te vezes sem conta.
Queria guardar o máximo de imagens tuas, possíveis.
Tocou para a saída.
Saís-te.
Eu segui-te, mas vagarosamente.
Não queria que aquilo acontecesse. Fiquei parado na entrada da sala, a olhar para ti, e tu para mim.
Perdi a noção de tudo.
Senti uma lágrima, a escorrer pelo canto do olho.
Não queria perder-te.
Não queria acabar com o sentimento, não queria ter de dizer adeus.
Não queria perder, tudo o que tentei construir.
Abracei-te.
Abracei-te, com toda a força que tinha.
Sussurrei-te ao ouvido, que eras tudo para mim, e que te amava.
Abraçaste-me.
Disseste-me, que me odiavas, e que não era um "adeus", mas sim um "até já", pois voltarias para recordar os bons momentos, as palavras, os olhares, os sorrisos, tudo.
Porém, sentia-me mal na mesma; sabia que nada voltaria a ser igual.
Despediste-te.
Seguiste o teu caminho, e avanças-te.
Fiquei parado, a olhar para ti a afastares-te.
Mas não aguentei mais. Ainda, mas tinhas partido, e já as saudades me apertavam e sufocavam.
Correi até ti, e agarrei-te na mão.
Puxei-te para mim, e senti os teus lábios.
As coisas, poderiam ter sido de outra forma- disse-te.
Concordas-te e deste-me outro beijo.
Trocamos as últimas palavras. Eram os últimos segundos.
Beijei-te de novo, prolongadamente, pois não queria que me deixasses. Partiste.
Recordo cada cabelo teu, cada olhar, cada palavra, cada beijo, cada abraço, cada pensamento, cada minuto.
Talvez te ame eternamente.
Poderá ser este o nosso fim, se não mudar-mos o meio.
Sei que o adeus chegará, mas quando fores levarás uma parte de mim, uma parte que nunca mais recuperarei.
Quero-te amar, mas não vou implorar.
Quero-te amar & quero que me ames.
F de fim, F de feliz.
Amo-te.